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Residências artísticas
Um período de imersão para desenvolver processos artísticos na Casa Camelo, com espaço de trabalho compartilhado, trocas entre participantes e encontros com artistas, curadores e profissionais convidados. A proposta incentiva a pesquisa, a produção e a formação de redes. O percurso inclui conversas, orientações, montagem coletiva e uma mostra de processos. Datas, investimento e condições de participação são definidos em cada edição.
Edições anteriores, fotografias, vídeos e materiais de divulgação.
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2026
Sobre o projeto
É quarta-feira e chego mais cedo à Casa. Passo o café, ligo o som e caminho lentamente entre as estações de trabalho dos artistas, repetindo um gesto que se tornou comum nesses últimos dias. Em cada percurso descubro novidades: uma cor que não estava ali no dia anterior, um pássaro que acaba de surgir em pintura, volumes que se multiplicam, não havia uma pantera ali?, desenhos que ocupam o chão, materiais que encontram, por acaso ou insistência, uma forma de coexistir. Cada bancada guarda um tempo próprio, uma lógica particular, um mundo em construção. Enquanto caminho entre as mesas, lembro das conversas. Talvez a palavra mais repetida ao longo dessa imersão tenha sido tempo. Tempo. Deixa estar. Vai com calma. Dorme com isso. Insisto no tempo porque penso que a arte exige um tempo alargado, capaz de acolher hesitações, mudanças de percurso e decisões provisórias. Em um contexto em que quase tudo exige respostas imediatas, reivindicamos o direito de demorar, de voltar atrás, de insistir, de abandonar e recomeçar. Tempo.
É curioso perceber que compartilhamos tanto em tão pouco tempo e que isso tenha sido suficiente para nos misturar. Aos poucos, as pesquisas deixaram de existir isoladamente. Um problema formal atravessou a mesa ao lado e reapareceu transformado em outra linguagem; uma conversa durante o café alterou uma decisão tomada horas depois; um material emprestado desencadeou uma solução inesperada. Sem perder suas singularidades, os trabalhos passaram a respirar um mesmo ar. Nada desaparece. As dúvidas mudam de lugar e passam a orientar decisões; gestos repetidos transformam-se em método; intuições encontram forma; o que parecia disperso revela uma direção. Agora, após quinze dias de convivência, produção, conversa e silêncio, tudo converge para um mesmo ponto: a vontade de tornar público aquilo que, até então, existia apenas como processo.
Adiante apresentamos pesquisas em desenvolvimento, inícios de mundos. Nada é fixo e, talvez, apenas o tempo seja capaz de afirmar aquilo que persiste.