Naquela Casa
Uma exposição e um encontro de aniversário da Casa Camelo.

Sobre o projeto
Naquela Casa
As paredes mudam, as luzes se acendem: novidades.
Acompanho, sempre em silêncio e imóvel, as transformações que me ocorrem — as paredes agora estão azuis, antes cinza, depois verdes. Rosas são constantes.
Vi tanto em tão pouco tempo, e parece-me que não se pode repetir — ou, quem sabe, a repetição não seja o verdadeiro desafio. Sempre algo novo. Sempre muitas pessoas, muitos artistas. Mudam-se as intenções, permanece o desejo.
O que se dá a ver aqui e agora é a soma do que já correu, do passado em que fui Casa, do tempo em que fui travessia e, agora, nesta nova morada.
Naquela Casa de quartos pequenos e muitos risos, tudo começou. Ali, recebi Randolpho, Olivia e Lume, durante dias em que os artistas mergulharam em suas pesquisas. Na mesma ocasião, Daniel, Hortência e David também compartilharam seus processos e obras — vi as fotografias das diversas famílias, os jornais históricos empilhados e devastados, vi, com desejo, as pinturas amarelas de estruturas arquitetônicas. A memória confunde as sensações.
Pouco tempo depois, tornei-me travessia e ocupei outros espaços. Naquele viaduto, vi os amigos/pinturas de Julianismo ocuparem as paredes, o plantio crescente de Rafael, as misturas entre passado e futuro nas fotografias de Laryssa, e a organização coletiva de Marcel — com performances, pinturas e facas — tomar forma no espaço.
Já noutro espaço, vi os móveis de Érica tomarem o ar, acompanhei as soldas/poemas de Thiago, as arquiteturas hostis de Marcus e projetei-me deitar nas redes de Esther Az — ato impossível, mas sonhado. Esther, ainda e tão gentilmente, desenhou este meu novo perfil.
Nesta Casa, já instalada em meu novo salão, presenciei os incêndios e memórias de Fernanda, o crescimento cuidadoso das plantas de Alisson, as emocionantes fotografias de Dolores e os fitilhos tremulantes de Láis e Julia. Aqui, vi os mais diversos artistas ocuparem as paredes em exposições variadas, eventos de organizações complexas, movimentos constantes e abertura para a novidade. Tudo se move.
Eu acompanho, silenciosa e bem de perto, o sonho daqueles dois — e sei que nada dirão, nem se saberá do cansaço que pesa nos corpos, das piadas entre montagens, dos cafés esquecidos sobre a mesa. Eles dois, que movimentam meu salão, não falarão sobre as discussões acaloradas, os equívocos e as marcas; tampouco comentarão sobre o esforço silencioso de se erguer esta exposição e, também, o próximo evento, e a outra ideia, e novas ações.
Há algo de uma insistência silenciosa aqui.
E tudo se move, mesmo quando parece pausa.
Casa Camelo, 2011/…
- Período
- Abertura em 22 de maio de 2025
- Local
- Casa Camelo · Belo Horizonte
Como foi.
Imagens dos encontros na Casa.
Cartazes e chamadas
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Vídeos
Registros do projeto, dos encontros e dos processos.
Os vídeos deste projeto serão acrescentados em breve.
