Método 1
Pintura, investigações visuais e processos criativos em série.

Sobre o projeto
Método
Outro dia, conversei com meu irmão sobre a metodologia científica, a importância dos dados, a replicação de resultados e outros aspectos fundamentais que compõem o processo científico. A replicação de resultados, por exemplo, é um dos pilares para confirmar que um estudo é consistente e não fruto de erro ou viés.
Durante uma residência recente, buscando entender e aproximar meus processos do que havíamos conversado, elenquei minhas ações ao pensar e realizar uma pintura: 1) seleciono gestos de interesse e elementos aos quais desejo fazer referência; 2) organizo a seleção de gestos na tela; 3) insiro, de forma despreocupada, tintas e problemas à pintura, mantendo rastros da ação anterior; 4) observo pontos de interesse e persistência entre as ações e avalio o desejo de manter ou modificar esses pontos; 5) invento acúmulos geométricos; 6) repito, sobreponho e acumulo camadas, refazendo as ações 2, 3, 4 e 5 até sentir que o resultado me satisfaz.
Conversando com os artistas que participam desta exposição, inquiri sobre seus métodos de criação e os aproximei dos meus. As convergências foram poucas, as organizações muitíssimo variadas e os modos de aproximação e resolução das pinturas, diversos.
Bruno e Bárbara conversam, inicialmente, de modo semelhante: partem da fotografia, da seleção e subsequente anulação de partes para a criação da composição, distanciando-se da imagem fotografada e trabalhando as partes em pintura. Fernanda também inicia sua atenção na fotografia; porém, aqui, as imagens são coletadas de inúmeras fontes ou destinadas em forma de dedicatórias, repetindo texturas e inserindo na tela camadas espessas de tinta - refaz texturas - como Bruno ao se distanciar da imagem da mata e como eu ao repetir camadas e inventar acúmulos geométricos. Gustavo apresenta inúmeras e persistentes geometrias intensas em cor, símbolos que se repetem e se anulam, e se aproxima de Fátima, que confunde as áreas da superfície com intensa cor, planificando objetos e tratando de variações sutis que revelam objetos e sentidos. Essa variação sutil pode ser vista em Manuel e seus variados tons de preto, conseguidos pela queima de suas coletas e visíveis nas representações reduzidas de retratos planificados e sugestões de espaços arquitetônicos.
Apesar de as pinturas terem pontos de aproximação, os métodos criados pelos artistas para se chegar ao resultado visível são inúmeros e distintos, tão amplos quanto a criatividade nos permite. Falamos por metáforas, usamos a linguagem simbólica e subjetiva como metodologia de investigação e, a partir dessa pesquisa, definimos métodos práticos e gestos pessoais para atender a essas demandas.
Enquanto o pensamento científico busca objetividade e precisão, a arte pode utilizar dessas atitudes, mas com outros fins. Embora o título da exposição nos oriente a pensar a pintura como um gesto categórico, cada artista expressa uma certa informalidade nos processos de composição, seja na organização do material no plano, na sua materialidade ou na forma, que pode ser abstrata, figurativa, geométrica ou orgânica. A arte se fundamenta na subjetividade, na expressão pessoal e na experimentação, onde não há resultados que conduzam a uma mesma resposta. Assim como não há unicidade na arte, os processos que a guiam, criados pelos artistas, também não o são. O que o método anuncia nunca se torna uma prova ou uma regra fixa; pelo contrário, ele se constitui como uma visão particular.
Luiz Lemos
Com a contribuição e leitura atenta de Manuel Carvalho
- Período
- Abertura em 20 de março de 2025
- Local
- Casa Camelo · Belo Horizonte
Como foi.
Imagens dos encontros na Casa.
Cartazes e chamadas
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Vídeos
Registros do projeto, dos encontros e dos processos.
Os vídeos deste projeto serão acrescentados em breve.
